Desafios e Conquistas no Quinto Semestre: O Projeto Solo

 Desafios e Conquistas no Quinto Semestre: O Projeto Solo


Alguns anos se passaram, e comecei a questionar se estava na profissão certa. Esses questionamentos geravam conflitos em casa, resultando em brigas constantes com meu pai e um distanciamento entre mim e meu irmão. No meio desse turbilhão de emoções, estava cursando o quinto semestre de Arquitetura, um período especialmente desafiador devido a dois projetos importantes: um parque planejado em grupo e uma escola individual.


O projeto Arquitetônico do Parque havia começado seis meses antes e deveria ser feito em grupo. No entanto, faltando apenas duas semanas para a entrega, fui expulsa do meu grupo devido a uma intriga. Senti-me completamente perdida. Após o estágio na SIURB, fui até a faculdade à noite para procurar o professor e perguntar se poderia fazer o projeto sozinha. Ele respondeu, com certa relutância:


— Bruna, você tem apenas duas semanas. O projeto é bastante complexo para ser entregue nesse prazo, ainda mais sozinha, mas se quer tentar, vá em frente. Só não aconselho.


Com essa permissão, corri para casa determinada a iniciar o projeto imediatamente. Naquela época, eu morava de aluguel com meu irmão. Passei horas tentando pensar em algo, mas as ideias não fluíam. Acabei adormecendo na cadeira de tanto cansaço. Porém, às duas da madrugada, como um relâmpago, o projeto inteiro veio à minha mente.


Nos dias seguintes, compartilhei o que havia acontecido com meu chefe de estágio e amigos do trabalho. Embora tivesse perdido meu grupo na faculdade, ganhei um novo grupo no trabalho. Eles me ajudaram a projetar e planejar a ideia inicial, oferecendo o apoio de que eu tanto precisava.


Com apenas dois dias para a entrega, meu pai e meu irmão se juntaram a mim, passando noites em claro para me ajudar a montar a maquete. Chegou até a faltar energia, e tivemos que continuar trabalhando à luz de velas. Não dormi naquela noite; o cansaço era avassalador. Meu pai teve a ideia de dividir a maquete em duas partes, já que ela era maior do que uma mesa de um metro e vinte, e ele me ajudou a levá-la no metrô e nos trens lotados.


Finalmente, chegou o dia da entrega. A sala estava cheia, e faltava apenas um minuto para o professor fechar a porta e encerrar as entregas. Estava exausta, com as pernas trêmulas, respiração ofegante, e uma fome insuportável. Coloquei a maquete lá no fundo da sala, tentando escondê-la por medo da nota, pois havia esquecido de colocar as árvores na maquete. O professor fechou a porta, e todos esperavam ansiosos pela avaliação.


Quando foi nossa vez de entrar, o professor decidiu que eu seria a última a entrar. Meu coração quase parou de tanto nervosismo. Ao entrar na sala, fiquei surpresa ao ver minha maquete exposta na frente de todos. O professor elogiou meu trabalho, destacando os pontos positivos e negativos, e me deu uma nota 8. Comecei a chorar de emoção, aliviada por ter superado todos os desafios.


Depois da aula, fui direto para o estágio, ainda com a maquete enrolada em um saco preto. Todos no trabalho estavam ansiosos para saber o resultado, e ao me verem com cara de choro, imaginaram o pior. Mas, quando contei a eles, a alegria foi geral. Aquele dia ficou marcado na minha memória, um lembrete de que, mesmo nas situações mais difíceis, é possível superar os obstáculos com determinação e apoio.




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