O Desafio do TCC e a Oportunidade com Marlom
O Desafio do TCC e a Oportunidade com Marlom
Após um ano de formada em Arquitetura, enfrentei um desafio comum a muitos recém-formados: o difícil processo de conseguir um emprego. No entanto, a sorte começou a mudar em 2020. Meu pai, que havia trabalhado por mais de 29 anos com mármores e granitos, conhecia um Arquiteto renomado chamado Marlom. Marlom havia sido um importante contato para meu pai, que tinha realizado uma instalação marcante em um apartamento que ele projetou para a irmã de Marlom.
Quando Marlom convidou meu pai para trabalhar no Rio Grande do Sul, instalando porcelanatos importados da Itália em uma fachada de alto padrão, foi um reconhecimento profundo do trabalho dele. Em uma visita a São Paulo, Marlom encontrou meu pai no apartamento onde havia feito aquela instalação especial. Quando meu pai me ligou para me convidar a ir com ele e meu irmão, estava animada, mas preocupada com a adequação do meu traje para o ambiente sofisticado.
Ao chegar ao apartamento, a emoção de ver o "Lírio da Paz" — um projeto de Marlom em mármore que meu pai havia instalado — foi indescritível. A sensação de estar frente a frente com uma obra tão significativa e, ao mesmo tempo, conhecer o Arquiteto que a criou, foi um momento de profunda realização e orgulho. Marlom, sua esposa e sua mãe foram acolhedores, e compartilhei com eles minha jornada, incluindo um episódio marcante da minha trajetória acadêmica.
Um dos momentos mais desafiadores da minha trajetória acadêmica ocorreu no quinto semestre de Arquitetura. Eu estava trabalhando em um projeto arquitetônico que havia começado seis meses antes e envolvia a integração de uma Escola a um Parque. O projeto do Parque era desenvolvido em grupo, enquanto o da Escola era individual. Durante esse período, eu também fazia estágio na Siurb, o que já ocupava boa parte do meu tempo.
Tudo parecia sob controle até que, a apenas duas semanas da entrega, fui expulsa do grupo de trabalho devido a uma desavença. Naquele momento, me vi sozinha diante de um projeto complexo, que havia sido planejado por meses, e agora precisava ser finalizado em questão de dias. Busquei orientação com meu professor naquela mesma noite, e ele, embora cético, me deu a permissão para seguir sozinha, alertando-me sobre o desafio que seria.
Voltei para casa determinada, onde morava de aluguel com meu irmão. Passei horas tentando iniciar o projeto, mas a inspiração simplesmente não vinha. Acabei adormecendo na cadeira, exausta, até que, às duas da madrugada, a solução inteira surgiu em minha mente como um lampejo. Nos dias seguintes, compartilhei minha situação com meu chefe e amigos do trabalho, que, para minha surpresa, formaram um novo grupo – desta vez, no ambiente de trabalho – para me apoiar na execução do projeto.
Com apenas dois dias para a entrega, meu pai e meu irmão se juntaram ao esforço, ajudando-me a montar a maquete. Trabalhamos até de madrugada, mesmo quando a energia elétrica faltou, e tivemos que usar velas para iluminar o ambiente. Chegamos ao ponto de dividir a maquete em duas partes para poder transportá-la, e meu pai me ajudou a levá-la, enfrentando o metrô e trens lotados.
No dia da entrega, cheguei à sala de aula exausta, com as pernas tremendo e a respiração ofegante. Coloquei a maquete no fundo da sala, escondida, por medo de ter esquecido um detalhe importante: as árvores. Quando o professor fechou a porta, meu coração quase parou. Ele decidiu que eu seria a última a entrar, o que só aumentou minha ansiedade. Para minha surpresa, ao entrar na sala, vi minha maquete exposta na frente de todos. O professor elogiou o trabalho, destacando pontos positivos e negativos, e me concedeu uma nota 8. Não consegui segurar as lágrimas de alívio e emoção.
Depois da aula, fui direto para o estágio, ainda carregando a maquete, agora enrolada em um saco preto. Quando cheguei, todos estavam ansiosos para saber o resultado, e minha expressão chorosa fez com que temessem o pior. Mas ao contar a verdade, o ambiente se encheu de alegria e comemoração.
Compartilhar essa história com Marlom e sua família, e vê-los se emocionar comigo, foi uma experiência profundamente gratificante. Foi uma forma de celebrar minha superação e as conquistas que vieram depois de muitos desafios. Marlom ainda me convidou para ver suas maquetes no Rio Grande do Sul, um gesto que consolidou ainda mais a importância das conexões e do networking na nossa profissão.

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